s o n s . i m a g e n s . p a l a v r a s
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Mar 09
joão semog, às 20:19link do post | comentar
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Tenho muito gosto em partilhar as minhas escolhas pessoais em termos dos discos que mais me marcaram no ano de 2008. Músicos que têm direito ao merecidíssimo reconhecimento do seu trabalho. Destaco especialmente Peter Broderick, multi-instrumentista norte-americano actualmente a trabalhar na Dinamarca, autor do sublime Home. Os Fleet Foxes com o seu álbum homónimo remexeram nas suas raízes musicais e fizeram um belíssimo retrato dos EUA. A banda inglesa The Accidental, no seu álbum de estreia There were wolves, conseguiram demonstrar com a difícil simplicidade como se fazem excelentes canções. O norte-americano Justin Vernon, sob a capa Bon Iver, deu uma lição de personalidade e criatividade com o seu melancólico For Emma, forever ago. Joan Wasser, a mulher-polícia de Nova Iorque, apresentou To survive em grande forma e cheia de segurança. Em Portugal e em bom português, destaco B Fachada que, carregado de orgulho nacional, surpreendeu com a sua Viola Braguesa.

publicado a 9 de Janeiro de 2009

 

Sinto-me como um garimpeiro escavando na www na expectativa de encontrar ouro e se possível em estado bruto. E tenho encontrado autênticas pepitas que me enriquecem musicalmente e que me fazem renovar o entusiasmo. Encontram-se essencialmente a norte. Vêm da América do Norte - Bowerbirds, Balmorhea, Chris Garneau, Eluvium, Goldmund, Sabertooth, Small Sur, William Fitzsimmons… Vêm da Europa do Norte - At swim two birds, The Montgolfier brothers, The Otto show, Ass, Adem, Butcher the bar, Erik Enocksson, Efterklang, Frederik, Heather Woods, Loney dear, Martin Grech, Melpo Mene, Racket and ball, Seabear, Thomas Dybdahl… E muito especialmente Peter Broderick, o homem dos sete instrumentos que veio dos EUA para a Dinamarca. Obrigado ao Vidro Azul por me indicar o inesgotável filão.

publicado a 19 de Dezembro de 2008

 

There were wolves, álbum de estreia de 2008 dos ingleses The accidental, foi a banda sonora perfeita das minhas férias de verão, tanto na praia como no campo. Fixaram o pôr-de-sol das praias atlânticas de Sagres e aqueceram as noites escuras e incrivelmente estreladas da aldeia da Beira Baixa. O álbum sugere quase um ensaio improvisado, descontraído e divertido, com sons de pássaros, risos, palmas... As canções são limpas, melódicas e com ritmos bem delineados. Sonoridade acústica tecida com cordas de viola, violino, violoncelo e harpa entrelaçadas com límpidas cordas vocais.

publicado a 26 de Setembro de 2008

 

The high llamas, banda irlandesa injustamente pouco reconhecida, têm o efeito raro de proporcionarem a cada audição um crescente interesse e inesperada atenção a cada novo detalhe. Sean O'Hagan e seus parceiros, desde 1991 que vão inventando e imprimindo a sua obra, revelando o seu estilo muito próprio, excelentemente documentado na compilação de 2003 Retrospective, rarities & instrumentals - 31 belas músicas que retratam 9 anos de história da banda e seu carácter. Tornou-se ansiosa a espera por novos trabalhos. Can cladders de 2007, não desapontou. Sean voltou a pontuar e a dar mais uma bela pincelada na obra dos The high llamas. Passou ao lado de muita gente a que não será alheia a imagem gráfica dos seus trabalhos - invulgar, primária e intencionalmente kitsch. Mas quem gosta, gosta sempre...

publicado a 19 de Outubro de 2008

 

A Europa é uma aldeia. E fala a mesma música. Les heures de raison é o exemplo perfeito. Álbum de 2007, de uma banda belga, com nome espanhol Soy un caballo, produzido por um irlandês Sean O’Hagan e cantado em francês. Tudo bem misturado e ainda com uma pintada de voz agridoce de um americano Bonnie “Prince” Billy, um pouco assotacado. A apresentação do cd e o respectivo theirspace na net são belíssimos. E… Sean O’Hagan, com ou sem os The high llamas não pára de surpreender. Na mouche.

 

Por trás de um grande homem só poderia estar uma mulher muito especial. Joan Wasser, Joan as a police woman para os amigos, é como as poucas jóias que o seu ex-namorado, Jeff Buckley, nos deixou, a que nos agarramos o mais que podemos para o termos sempre presente. Desta vez somos surpreendidos e fomos nós agarrados por esta senhora que, cheia de charme e sedução, nos vai contagiando mais e mais, à medida que surgem os seus trabalhos, Joan as police woman e Real life de 2006 e, especialmente, To survive de 2008. Irresistível e indelével…tal como Jeff.

publicado a 22 de Agosto de 2008

 

Há efectivamente magnetismo nos The magnetic fields. Confesso que fiquei agarrado, como que hipnotizado, à beleza das canções de Stephin Merritt. O concerto da Aula Magna foi uma verdadeira serenata ao luar apenas com 5 estrelas brilhando no palco: Stephin Merritt (voz e bouzuki), Claudia Gonson (piano e voz), Sam Davol (violoncelo), John Woo (guitarra acústica) e Shirley Simms (voz convidada). Belíssimas canções em registo baixo e toada calma para um perfeito silêncio interior. O tempo parou. Só o pensamento pairava pelas letras, pelas melodias, pela vida...Não que tenha sido um "espectáculo" mas foi certamente um daqueles momentos que ficam gravados para sempre. Agradeço a lição de vida que proporcionaram, o abanão na actual insensibilidade para momentos simples, a poesia, o sentido de humor e a valorização da liberdade de expressão de cada um. Perfeito.

 

29 de Abril, noite do concerto de José González em Lisboa. A minha expectativa era alta e não foi defraudada. Aliás, a primeira parte foi uma bela surpresa. Sean Riley e os seus Slowriders, portugueses por fora e americanos por dentro, demonstraram grande garra e talento e mereceram os muitos aplausos. José González, a sua peculiar voz e a magia da sua guitarra, acalmaram o ambiente, rendendo-nos ao seu talento e virtuosismo. Com grande profissionalismo e segurança, ofereceu, sem vacilar e com contida emoção, um concerto de grande qualidade. Apesar do ambiente bem quente do público português que enchia a Aula Magna, González foi servindo fria e calmamente duas dúzias de quadradinhos de chocolate sueco com suave sabor a cacau argentino. Com momentos de lamber os dedos, em especial o tema Teardrop, muitos outros souberam bem, mas um pouco sempre ao mesmo.

 

Que sorte a minha! Sempre que ouço Passing stanger de Scott Matthews, tenho a sensação que fui um dos felizes contemplados com um prémio, uma espécie de segredo que me foi revelado... pela Rádio Radar. Claro que aproveito ao máximo e quanto mais ouço mais gosto. A curiosidade e alguma ansiedade aumentam à medida que aguardo por mais notícias deste músico inglês. Gravou recentemente The boy with the thorn in his side dos Smiths, em versão que, na minha opinião, supera a de Morrisey. Semelhança com Jeff Buckley não é pura, mas brilhante coincidência. Scott tem alma, garra! As canções deste álbum de 2007 são todas magníficas e a arte do cd irrepreensível.

publicado a 9 de Maio de 2008

 

Os The The foi a banda que mais me marcou a adolescência. Arranjava tudo o que podia: todos os lps e maxis, os videos, o livro, as t-shirts (e outras que eu próprio pintava com os desenhos do grupo), fui ao concerto em Lisboa, vi em Londres a exposição de Andy Dog, irmão de Matt e autor de toda a arte gráfica do grupo. Matt Johnson, a alma (soul seria a palavra certa) dos The The, com apenas 20 anos fez um álbum histórico Burning blue soul em que tudo experimentava e tocava, qual Panda Bear em Person pitch de 2007, só que estavamos em 1981! Matt Johnson tinha muito estilo e era o meu ídolo por alturas de Soul mining de 1983 e Infected de 1986. Arte em plena revolução. E foi tão intenso em mim que não consegui assistir ao esgotamento criativo de Matt já evidente em Mind bomb de 1989. Senti-me triste porque perdi-o, mas quem mais perdeu foi a música que não voltou a ter nada semelhante... A propósito, que é feito de Matt Johnson?

publicado a 25 de Abril de 2008

 

Com surpresa, só agora descubro o magnífico álbum Going to where the tea trees are, trabalho de 2006 de Peter van Poehl. Infelizmente tornou-se difícil encontrar canções simples, mas este músico sueco mostra-nos como ainda é fácil fazê-las. Este álbum contém uma dúzia de belas canções que evidenciam honestidade, profissionalismo e paixão pelo trabalho. A entrega pessoal e genuína é uma qualidade rara que cada vez mais valorizo na música e na arte de uma forma geral. Deste artista, qual diamante em bruto mas com enorme potencial, foi lapidada uma jóia de beleza rara The story of the impossible. Com um pé na Suécia e outro em Berlim, mostra como a Terra pode ser uma aldeia que por vezes fala toda a mesma música.

publicado a 11 de Abril de 2008

 

A noite de 13 de Março na Aula Magna foi especial. A noite de um bom espectáculo é sempre especial. Patrick Watson e a sua banda deram um concerto estranho mas muito criativo e interessante. Com sonoridades experimentais, fusões de estilos e sobretudo ambientes extremos, embalando ao piano com voz sussurrada ou explodindo em loucura colectiva. Grande empatia entre os quatro músicos com fabuloso trabalho de Robbie Kuster, baterista/percussionista, que valorizou jazzisticamente o espectáculo. Luscious life e a nova Midnight express foram incríveis e grandiosas. The Great escape foi uma oportuna tranquilidade. Faltou a arrepiante To build a home… Patrick Watson, embora exagerando em teatrealidade, não desleixou o profissionalismo, gozou a sua música como uma criança, divertiu o público e deixou bem marcada a sua passagem por Lisboa.

publicado a 28 de Março de 2008

 

Há algo de novo na música portuguesa. Algo revolucionário e genuíno. Nosso sem ser fado. Podia ter voz mas não tem. Só guitarra e uma pitada de contrabaixo. Um som novo de bairro velho, uma luz ao fundo da rua. Com o passado presente mas com olhar vivo para o futuro, Norberto Lobo dedica o seu disco de estreia em 2007 Mudar de bina ao mestre Carlos Paredes. Homenagem bem feita sem copiar, inventando à sua maneira. Um lobo a uivar em bom português e de unhas bem afinadas. Parabéns!

publicado a 11 de Janeiro de 2008

 

José González é um compositor que nasceu no frio da Suécia, com sangue quente dos mares do sul, de seus pais argentinos. O seu trabalho é mais um exemplo da magia e força que pode haver na simples fusão de um músico com uma guitarra acústica. Assim era João Gilberto (outro JG) de quem que lhe chegou inspiração, certamente pela corrente quente do Golfo. José é um músico interessante e interessado. Cursou em bioquímica e estuda antropologia, tema que utilizou para o seu último trabalho In our nature de 2007. A simplicidade das suas composições, a paixão pela acústica e o minimalismo gráfico e invulgar que escolhe para os seus álbuns, conferem-lhe uma identidade muito própria e coerente. O seu trabalho começou com o álbum Veneer de 2005, como a primeira peça da obra agora continuada. É como um pequeno puzzle, com as peças adquiridas por fascículos, cujo resultado é um pouco previsível mas na mesma divertido de jogar.

publicado a 4 de Janeiro de 2008


joão semog
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